NOTÍCIAS
Quem
são esses políticos italianos?
©
Augusto Bortolozzo - Insieme / SP (03
de julho de 2005)

SÃO
PAULO - SP - Na qualidade de descendente de “italianos”,
mais verdadeiramente Vêneto de origem (adiante se explica
o porque desta "dicotomia”), pesquisador e estudioso
da história Italiana e brasileira do final do século
XIX, principalmente da grande diáspora cujos meus antepassados
foram protagonistas; busco respostas para entender as atitudes
dos políticos italianos de hojE.
Quando
me deparo com propostas de grupos políticos italianos elaborando
leis e projetos tentando tolher os direitos dos cidadãos
à cidadania e ao voto, eu me pergunto:-
“Sabem eles que a Itália só se estabeleceu
politicamente com a unificação forçada havida
após os anos de 1.866?. Que antes o território italiano
era composto de povos de diversas etnias e organizações
políticas?”
“Sabem
eles que até o final do século XIX o Reino da Itália
não conseguia se organizar política e socialmente
e juntamente com a drástica majoração dos
impostos foram as causas da miséria e das doenças
que assolavam milhões de italianos que foram obrigados
a deixar suas terras em busca de sobrevivência em outras
partes do mundo?”.
“Sabem
eles que na época da grande emigração (final
do Século XIX), em pleno parlamento um político
e orador italiano proferiu as seguintes palavras:_ “I contadini,
privi di capitali e di cognizioni, sarano sempre e dovunque proletari.
E la miséria che tentano di sfugire abbandonando la pátria,
li seguirà sempre come l’ombra del loro corpo”.
“Sabem
eles que o governo quando perguntado a respeito do grande êxodo
de cidadãos, simplesmente respondia: “Non possiamo
fare nulla”.
As propostas destes políticos chegam às raias do
absurdo e da ignorância, quando propõem a obtenção
da cidadania e o direito ao voto somente aos cidadãos que
falem a língua italiana.
Ainda
me pergunto:
“Sabem
eles que quase a totalidade dos emigrantes que deixaram a Itália
não falavam a língua italiana, e sim seus respectivos
dialetos”?.
“Sabem
eles que no caso de meus antepassados vindos do Vêneto não
se consideravam italianos, pois falam a língua veneta,
cultura e tradição de séculos antes da unificação
da Itália”?.
“Sabem
eles que grande parte destes emigrantes morreram ainda em portos
italianos no aguardo dos navios que os livrariam da morte”?.
“Sabem
eles que muitos também morreram durante a viagem e os que
conseguiam chegar ao destino morriam pelas seqüelas contraídas
ainda em território italiano”?.
Verdadeiramente
não vejo o mínimo respaldo na possibilidade de se
exigir de um imigrante ou de descendentes o conhecimento do idioma
italiano.
O
que esperamos dos políticos italianos com relação
aos emigrantes e descendentes são Leis que resgatem a identidade
e a cultura deste contingente de cidadãos que em nosso
ponto de vista foram “banidos” silenciosa e sorrateiramente
do país.
Os
políticos italianos têm que entender que essa herança
deixada pelo Reino da Itália deve ser assumida como a grande
“Dívida Externa” do governo atual.
Minha
esperança é que este meu desabafo tenha repercussão
junto a classe política italiana e aguardo ansioso a réplica
às minhas afirmações, pelo menos assim sentiria
a disposição de se abrir um amplo debate sobre o
assunto.